sábado, 14 de maio de 2011

Energia.

Tenho um leão dentro de mim. E nem sempre me dou bem com ele.

Não porque não queira, mas porque é difícil mesmo. O leão é voraz, cheio de fome, são poucos os momentos que ele está saciado, e parece que esses momentos existem para que depois ele apareça querendo mais.
Enquanto não se alimenta ele não deixa ninguém em paz. O que come? Beijos, livros, pulos, estudos, filmes, paixões, amor e muito mais. Se deixar devora tudo o que há pela frente.
Mas gosto do meu leão, as vezes até demais, mas é do rugido dele que chega a necessidade do verbo, do acontecer, do tornar real o que é potencial. Porque se as vezes me estranho com o leão, gosto menos ainda de sentir que meu potencial está sendo desperdiçado. Isso sim causa estrago!
Não escolho dia nem mesmo momento. Simplesmente sou bombardeado por uma torrente de energia que muitas vezes nem consigo lidar direito de tão forte que é.
É muita energia, o tempo todo! Fluindo, pulsando! Falando "faça algo" enquanto já estou fazendo algo (porém quando parece que aquilo não é suficiente para a vida), "o que mais o leão quer?", pergunto eu.
E então uma voz animada, porque finalmente lhe deram ouvido, sussurra:

"Quero que você faça o que tem vontade de fazer. Aquela vontade bem interna, que aparece em conversas íntimas as três da madrugada com amigos próximos. Quando se está sozinho em momento de distração, aquele desejo que se mistura com sonho, que parece até distante de tão prazeroso que possa vir a ser. De só de pensar arrepia e o sorriso brota no rosto. Quero que se entregue. Que vista a roupa que lhe cabe, que se declare para quem ama, que tatue o que está com receio, que dance sem ter medo que os outros olhem. Quero apenas que você siga o impulso, o seu impulso, e por favor, que não dificulte as coisas para seu lado."




Obrigado, leão. Farei isso.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

As Duas Tiranas - Parte 2.

Não lembro quem derrotei primeiro, emoções são difíceis de serem medidas pelo tempo cronológico. Parece que possuem um tempo interno, bem próprio. Mas com certeza, quem me chamava mais a atenção era a culpa.
Engraçado que sempre coloco emoções, sentimentos e outros conceitos como figuras humanas em algum ponto dos meus pensamentos. Imagino meu lado profissional representado por um homem de terno e óculos, meu lado mais insano usando roupas espalhafatosas e cabelo bem comprido, mas não consegui imaginar a culpa.
Chegam a aparecer alguns traços femininos, um vestido negro. Tomando mais forma, uma mulher de pele clara, usando um batom vinho e um sorriso sádico.
A partir daí já estaria forçando a barra. Não por falta de imaginação, mas porque não se trata de uma forma humana e sim a de um monstro. Um monstro, que assim como a cobrança, te suga as forças. Porém a acho mais pesada.
É uma bola de aço amarrada na cintura. Você age mais devagar, se cansa mais fácil e anda curvado, encarando o chão porque acha que não merece mais o céu.
Usando das palavras como usei antes, pois elas possuem muito poder, a analogia com a culpa ficou feia. Até tentei evitar, mas se a culpa foi transgressora comigo, eu serei com ela. Mas "culpa" vêm de "cu"! Falei que era feia. É suja, o tempo todo, por mais que lave. Ninguém gosta de falar sobre e só serve para uma coisa, que é entrar em contato e fazer sujeira.
Voltando ao céu, porque prefiro falar de céu do que de cu, a culpa te desvia das qualidades celestiais. Você fica sem saber quem se afasta de quem, se é você das coisas boas ou se são as coisas boas que correm de ti.
Assim como Ícaro, voei perto do Sol e caí, e caí, e caí. Conheci a profundeza da vergonha, da não-aceitação da minha ignorância e aquilo doía imensamente. O peito era pesado e o choro sempre iminente. Tinha vontade de voltar no tempo.

Mas aqui vim falar de vitória, não é mesmo? Me desculpe, caro leitor, mas depois do corte uma cicatriz é feita e não sou do tipo que as remove ou coloca tatuagens por cima. Gosto de olhar e lembrar de como ganhei a batalha.
De lembrar que a vida infelizmente não é só alegria, porém é na adversidade que você conhece sua verdadeira força. Aprendi que sentir-se vivo é diferente de "viver" no piloto automático e que não é fácil, não é nada fácil, viver plenamente.
As vezes precisamos matar alguns monstros externos, mas os verdadeiramente complicados são os internos, aqueles que vivem profundamente em nós.

Boa sorte em sua caçada. E que você esteja mais livre na próxima vez que voltar por aqui.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

As Duas Tiranas - Parte 1.

Eu tentei escrever de uma maneira lírica, cheia de metáforas, mas não consegui. Escrevia e rabiscava, olhava o papel pintado com toda a subjetividade do meu ser e só conseguia soltar um exclamado "Não, assim não." Não sei se um dia vou amadurecer essa ideia dentro de mim, só sei que hoje ela ainda está fervorosa como um grito de liberdade.

E não deixa de ser um grito de liberdade mesmo, imagino a felicidade de um levante ao ver, e melhor ainda, sentir que seu país está livre do julgo de opressores cruéis que não fazem outra coisa a não ser sugar os outros.

Enfrentei dois tiranos ao mesmo tempo dentro dos limites do meu país, ou melhor, duas tiranas. O meu país sou eu, claro! A Gustavolândia, onde há sempre a luta por algo, no mínimo, digno.
A primeira tirana é a cobrança! Que vêm de cobra, olha que terrível! "Cobra-ança". É silenciosa, rasteja, aproxima-se sem ser notada, olha com firmeza e dá o bote com toda a força que há nela. A cobrança é igual, igualzinha, sem por nem tirar, não muda nada.
É um círculo vicioso, você almeja conseguir algo, automaticamente se cobra por não encontrar-se naquele estado que você deseja alcançar ou no processo anda em descompasso, quer aprender uma coisa que se aprende em 10 anos em apenas 10 dias. Aí o bote já foi faz tempo e ninguém viu, mas sentiu. E quando se erra então? E quando se erra muito feio? A pessoa que se cobra nem precisa de um terceiro falando que ela errou, ela já se prende sozinha.

Acaba toda a energia, chega ao fim, gastou-se tudo e então a procrastinação aparece. E se a enrolação acontece, a atividade no final não vai estar excelente, aí você faz o que? Se cobra. Se come. Se fulmina por dentro. Interminavelmente.