Tenho um leão dentro de mim. E nem sempre me dou bem com ele.
Não porque não queira, mas porque é difícil mesmo. O leão é voraz, cheio de fome, são poucos os momentos que ele está saciado, e parece que esses momentos existem para que depois ele apareça querendo mais.
Enquanto não se alimenta ele não deixa ninguém em paz. O que come? Beijos, livros, pulos, estudos, filmes, paixões, amor e muito mais. Se deixar devora tudo o que há pela frente.
Mas gosto do meu leão, as vezes até demais, mas é do rugido dele que chega a necessidade do verbo, do acontecer, do tornar real o que é potencial. Porque se as vezes me estranho com o leão, gosto menos ainda de sentir que meu potencial está sendo desperdiçado. Isso sim causa estrago!
Não escolho dia nem mesmo momento. Simplesmente sou bombardeado por uma torrente de energia que muitas vezes nem consigo lidar direito de tão forte que é.
É muita energia, o tempo todo! Fluindo, pulsando! Falando "faça algo" enquanto já estou fazendo algo (porém quando parece que aquilo não é suficiente para a vida), "o que mais o leão quer?", pergunto eu.
E então uma voz animada, porque finalmente lhe deram ouvido, sussurra:
"Quero que você faça o que tem vontade de fazer. Aquela vontade bem interna, que aparece em conversas íntimas as três da madrugada com amigos próximos. Quando se está sozinho em momento de distração, aquele desejo que se mistura com sonho, que parece até distante de tão prazeroso que possa vir a ser. De só de pensar arrepia e o sorriso brota no rosto. Quero que se entregue. Que vista a roupa que lhe cabe, que se declare para quem ama, que tatue o que está com receio, que dance sem ter medo que os outros olhem. Quero apenas que você siga o impulso, o seu impulso, e por favor, que não dificulte as coisas para seu lado."
Obrigado, leão. Farei isso.
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