Não lembro quem derrotei primeiro, emoções são difíceis de serem medidas pelo tempo cronológico. Parece que possuem um tempo interno, bem próprio. Mas com certeza, quem me chamava mais a atenção era a culpa.
Engraçado que sempre coloco emoções, sentimentos e outros conceitos como figuras humanas em algum ponto dos meus pensamentos. Imagino meu lado profissional representado por um homem de terno e óculos, meu lado mais insano usando roupas espalhafatosas e cabelo bem comprido, mas não consegui imaginar a culpa.
Chegam a aparecer alguns traços femininos, um vestido negro. Tomando mais forma, uma mulher de pele clara, usando um batom vinho e um sorriso sádico.
A partir daí já estaria forçando a barra. Não por falta de imaginação, mas porque não se trata de uma forma humana e sim a de um monstro. Um monstro, que assim como a cobrança, te suga as forças. Porém a acho mais pesada.
É uma bola de aço amarrada na cintura. Você age mais devagar, se cansa mais fácil e anda curvado, encarando o chão porque acha que não merece mais o céu.
Usando das palavras como usei antes, pois elas possuem muito poder, a analogia com a culpa ficou feia. Até tentei evitar, mas se a culpa foi transgressora comigo, eu serei com ela. Mas "culpa" vêm de "cu"! Falei que era feia. É suja, o tempo todo, por mais que lave. Ninguém gosta de falar sobre e só serve para uma coisa, que é entrar em contato e fazer sujeira.
Voltando ao céu, porque prefiro falar de céu do que de cu, a culpa te desvia das qualidades celestiais. Você fica sem saber quem se afasta de quem, se é você das coisas boas ou se são as coisas boas que correm de ti.
Assim como Ícaro, voei perto do Sol e caí, e caí, e caí. Conheci a profundeza da vergonha, da não-aceitação da minha ignorância e aquilo doía imensamente. O peito era pesado e o choro sempre iminente. Tinha vontade de voltar no tempo.
Mas aqui vim falar de vitória, não é mesmo? Me desculpe, caro leitor, mas depois do corte uma cicatriz é feita e não sou do tipo que as remove ou coloca tatuagens por cima. Gosto de olhar e lembrar de como ganhei a batalha.
De lembrar que a vida infelizmente não é só alegria, porém é na adversidade que você conhece sua verdadeira força. Aprendi que sentir-se vivo é diferente de "viver" no piloto automático e que não é fácil, não é nada fácil, viver plenamente.
As vezes precisamos matar alguns monstros externos, mas os verdadeiramente complicados são os internos, aqueles que vivem profundamente em nós.
Boa sorte em sua caçada. E que você esteja mais livre na próxima vez que voltar por aqui.
Apesar de não ser exatamente contra esses "monstros" q tenho lutado diariamente, ambos os textos "As Duas Tiranas" representam muitíssimo bem essa imensa batalha interna, porém não eterna...
ResponderExcluirParabens pelo texto e pelo blog Gody! =)
§Ju