segunda-feira, 9 de maio de 2011

As Duas Tiranas - Parte 2.

Não lembro quem derrotei primeiro, emoções são difíceis de serem medidas pelo tempo cronológico. Parece que possuem um tempo interno, bem próprio. Mas com certeza, quem me chamava mais a atenção era a culpa.
Engraçado que sempre coloco emoções, sentimentos e outros conceitos como figuras humanas em algum ponto dos meus pensamentos. Imagino meu lado profissional representado por um homem de terno e óculos, meu lado mais insano usando roupas espalhafatosas e cabelo bem comprido, mas não consegui imaginar a culpa.
Chegam a aparecer alguns traços femininos, um vestido negro. Tomando mais forma, uma mulher de pele clara, usando um batom vinho e um sorriso sádico.
A partir daí já estaria forçando a barra. Não por falta de imaginação, mas porque não se trata de uma forma humana e sim a de um monstro. Um monstro, que assim como a cobrança, te suga as forças. Porém a acho mais pesada.
É uma bola de aço amarrada na cintura. Você age mais devagar, se cansa mais fácil e anda curvado, encarando o chão porque acha que não merece mais o céu.
Usando das palavras como usei antes, pois elas possuem muito poder, a analogia com a culpa ficou feia. Até tentei evitar, mas se a culpa foi transgressora comigo, eu serei com ela. Mas "culpa" vêm de "cu"! Falei que era feia. É suja, o tempo todo, por mais que lave. Ninguém gosta de falar sobre e só serve para uma coisa, que é entrar em contato e fazer sujeira.
Voltando ao céu, porque prefiro falar de céu do que de cu, a culpa te desvia das qualidades celestiais. Você fica sem saber quem se afasta de quem, se é você das coisas boas ou se são as coisas boas que correm de ti.
Assim como Ícaro, voei perto do Sol e caí, e caí, e caí. Conheci a profundeza da vergonha, da não-aceitação da minha ignorância e aquilo doía imensamente. O peito era pesado e o choro sempre iminente. Tinha vontade de voltar no tempo.

Mas aqui vim falar de vitória, não é mesmo? Me desculpe, caro leitor, mas depois do corte uma cicatriz é feita e não sou do tipo que as remove ou coloca tatuagens por cima. Gosto de olhar e lembrar de como ganhei a batalha.
De lembrar que a vida infelizmente não é só alegria, porém é na adversidade que você conhece sua verdadeira força. Aprendi que sentir-se vivo é diferente de "viver" no piloto automático e que não é fácil, não é nada fácil, viver plenamente.
As vezes precisamos matar alguns monstros externos, mas os verdadeiramente complicados são os internos, aqueles que vivem profundamente em nós.

Boa sorte em sua caçada. E que você esteja mais livre na próxima vez que voltar por aqui.

Um comentário:

  1. Apesar de não ser exatamente contra esses "monstros" q tenho lutado diariamente, ambos os textos "As Duas Tiranas" representam muitíssimo bem essa imensa batalha interna, porém não eterna...

    Parabens pelo texto e pelo blog Gody! =)

    §Ju

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