sexta-feira, 6 de maio de 2011

As Duas Tiranas - Parte 1.

Eu tentei escrever de uma maneira lírica, cheia de metáforas, mas não consegui. Escrevia e rabiscava, olhava o papel pintado com toda a subjetividade do meu ser e só conseguia soltar um exclamado "Não, assim não." Não sei se um dia vou amadurecer essa ideia dentro de mim, só sei que hoje ela ainda está fervorosa como um grito de liberdade.

E não deixa de ser um grito de liberdade mesmo, imagino a felicidade de um levante ao ver, e melhor ainda, sentir que seu país está livre do julgo de opressores cruéis que não fazem outra coisa a não ser sugar os outros.

Enfrentei dois tiranos ao mesmo tempo dentro dos limites do meu país, ou melhor, duas tiranas. O meu país sou eu, claro! A Gustavolândia, onde há sempre a luta por algo, no mínimo, digno.
A primeira tirana é a cobrança! Que vêm de cobra, olha que terrível! "Cobra-ança". É silenciosa, rasteja, aproxima-se sem ser notada, olha com firmeza e dá o bote com toda a força que há nela. A cobrança é igual, igualzinha, sem por nem tirar, não muda nada.
É um círculo vicioso, você almeja conseguir algo, automaticamente se cobra por não encontrar-se naquele estado que você deseja alcançar ou no processo anda em descompasso, quer aprender uma coisa que se aprende em 10 anos em apenas 10 dias. Aí o bote já foi faz tempo e ninguém viu, mas sentiu. E quando se erra então? E quando se erra muito feio? A pessoa que se cobra nem precisa de um terceiro falando que ela errou, ela já se prende sozinha.

Acaba toda a energia, chega ao fim, gastou-se tudo e então a procrastinação aparece. E se a enrolação acontece, a atividade no final não vai estar excelente, aí você faz o que? Se cobra. Se come. Se fulmina por dentro. Interminavelmente.

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